quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O Contra-Ataque


Tal como no pós 11 de Setembro, os atentados cobardes de Paris deixaram um ocidente perplexo, chocado, enlutado, mas também com vontade de reagir. Da esquerda à direita, da Europa à América, de artigos de opinião a comentários nas redes sociais, multiplicam-se as manifestações de solidariedade, bem como as exaltações às mais variadas acções.

Mas o que fazer? Uma intervenção militar em larga escala, por mais justificada que seja, é arriscada militarmente, com enormes riscos humanitários, exorbitante financeiramente e na prática potencialmente contraproducente. Não é propriamente o caso de que o Iraque em 2003 tenha reduzido o terrorismo, antes pelo contrário. Ou de que a intervenção na Líbia em 2011 tenha sido um sucesso.

A recusa em receber refugiados fugidos da guerra e desse mesmo terrorismo do suposto califado é não só moralmente questionável como de pouco serve. Claro, há sempre o risco de no meio dos refugiados que fogem à guerra e ao suposto califado, virem terroristas infiltrados. Mas, caso ninguém tenha reparado, todos ou quase todos os terroristas dos recentes ataques a Paris - ou do ataque ao Charlie Hebdo uns meses antes - são cidadãos europeus, nascidos e criados em França ou nos países vizinhos.

Tratam-se de indivíduos com um problema de identidade, cujo sentimento de desenraizamento os leva a passar de cidadãos a criminosos, de criminosos a radicais e de radicais a terroristas cobardes. Não são imigrantes desiludidos, são cidadãos europeus e que não podem ser travados na fronteira. O limite à imigração, pelo menos à económica, é um tema que merece e deve ser discutido em todas as suas vertentes, mas que ninguém pense que vai resolver alguma coisa, não pelo menos no médio prazo.


A maior luta deve travar-se em primeiro lugar nas comunidades muçulmanas. Declarações de políticos não-muçulmanos sobre o Islão ser uma religião de paz e dos terroristas não terem religião, por mais bem intencionadas que sejam, não só soam vazias como negam o problema fundamental da mensagem dos terroristas estar ancorada numa certa visão do Islão, que por mais distorcida e radical, nunca foi deslegitimada.

São precisas vozes como a do Mayor de Roterdão, Ahmed Aboutaleb, ele próprio muçulmano, que não tem medo de dizer aos radicais para se irem foder (perdoem-me o meu francês) se não gostam das liberdades do país onde vivem. É preciso que os Imãs e teólogos muçulmanos não só se juntem aos muçulmanos comuns na critica à pequena jihad, mas vão mais além e travem a batalha teológica com os fundamentalistas que é necessária. Um terrorismo jihadista herético e descreditado, terá muito menos poder de atracção sobre jovens marginalizados à procura de alguma identidade.

Aos governos dos países ocidentais cabe um combate sem tréguas ao terrorismo, porque um assassino é um assassino. Por mais importantes que sejam as causas que levaram à radicalização, alguém que decide voluntariamente atacar civis desarmados continua a ser um verme da pior espécie. Isso aplica-se também aos lideres e religiosos radicais. Porque o direito à liberdade de expressão e de religião não inclui a tolerância do discurso do ódio.


Quanto aos cidadãos não muçulmanos, seria um bom começo se o comum Pierre, Peter ou Pedro não visse o Ahmed, Muhammad ou o Ismail, nascido e criado em França, na Grã-Bretanha ou em Portugal, como estrangeiro, mas antes como compatriota e cidadão pleno do seu país.

3 comentários:

  1. Particularmente interessante a tua ideia de envolver na luta contra o terrorismo os representantes do Islão para claramente esses vermes com bombas e kalashnikovs deixarem de se poder refugiar numa justificação tipo cruzada religiosa, o que de facto torna mais apelativa a aderência à " causa". Uma vez removido esse refugio e esses animais passarem a ser obrigados a se confrontarem com o que realmente são, assassinos, creio que a capacidade de recrutamento de novos assassinos se ressentirá significativamente.

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    1. Exacto. Ser um guerreiro de Deus 'e uma ideia poderosa, por mais anacronica que nos possa parecer. Ser um assassino sanguinario nao e'. E nao ha ninguem com mais autoridade para os desmascarar do que os lideres religiosos e intelectuais muculmanos.

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