quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Breaking News: Algo Está Errado com a Banca

BPN. Má gestão, fraude. Nacionalizado e reprivatizado por €40 milhões. Perdas para o contribuinte de € 2,4 mil milhões.

BES. Má gestão, fraude. Empréstimo do Estado de €4.4 mil milhões para o fundo de resolução constituído pelos restantes bancos nacionais. Perdas para o contribuinte podem ascender a €1,3 mil milhões (devido à participação de 30% da CGD no fundo de resolução). Isto se potenciais perdas no fundo de resolução não levarem a ainda mais resgates nos restantes bancos do fundo de resolução.

Banif. Má gestão (desta vez parece que foi mesmo só incompetência). Parcialmente nacionalizado, resolvido e reprivatizado por €150 milhões. Perdas para o Estado de €2,25 mil milhões, com potencial para chegar a €3 mil milhões.


A juntar ao acima, em 2012 o Estado teve que servir de banco da banca e injectar aproximadamente €5 mil milhões nos bancos privados.

O tema “lucros privados, prejuízos nacionalizados” já começa a ser um assunto repetitivo, mas - como demonstrou o Banif - infelizmente continua a ser demasiado actual.

Os bancos arriscam tudo na roleta russa em que se tornou o sistema financeiro internacional. Em anos bons, isso traduz-se em lucros monstruosos para os accionistas e bonus chorudos para os gestores. Em anos maus, resulta em impostos para os contribuintes e em cortes nas despesas em saúde e educação.

E infelizmente o problema não é só em Portugal. Casos como o do AIG nos EUA ($85 mil milhões), Royal Bank of Scotland ($71 mil milhões) e Loyds ($32 mil milhões) no Reino Unido, ou Société Générale em França ($4,2 mil milhões), são apenas alguns dos exemplos internacionais mais notórios.

Pior, mesmo que os contribuintes não tivessem tido que gastar um cêntimo nos exemplos acima, a crise financeira que ajudaram a criar deixou para trás milhares de empresas falidas, milhões de desempregados e biliões gastos em apoios sociais que de outras formas não seriam necessários. Por outras palavras, directa ou indirectamente, a factura acaba no contribuinte.

Provavelmente a solução não será deixar os bancos pura e simplesmente falir. Provavelmente a nacionalização completa da banca também não será boa ideia. Mas o que de certeza que não pode acontecer é a perpetuação de um sistema em que os bancos fazem a festa e os contribuintes pagam a factura.

Já ouve algum progresso nesse sentido, tal como estabelecimento de rácios mínimos de capital para a banca ou de fundos de resolução financiados pela banca. Mas medidas mais drásticas que resolvam o problema de vez, tal como possivelmente a separação entre banca comercial e banca de investimento ou a regulação mais apertada dos mercados financeiros, continuam por tomar. Passados mais de 7 anos desde o inicio da “Grande Recessão”, causada precisamente pelo sistema financeiro, já começava a ser tempo.

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