domingo, 3 de abril de 2016

Social-Democracia Sempre!

A social-democracia é uma ideologia política que apoia intervenções económicas e sociais do Estado para promover justiça social dentro de um sistema capitalista, e uma política envolvendo o Estado-Providência, sindicatos, regulação económica para o interesse geral da população, intervenções para promover uma distribuição de rendimentos mais igualitária e um compromisso para com a democracia representativa.” - Wikipedia

Pergunte-se a Sá Carneiro se o partido que fundou era social democrata e a sua resposta provavelmente seria um enfático “sim”. Afinal de contas, as suas referências assumidas eram as sociais-democracias alemã e escandinavas. E logo após a fundação do partido em 1974, é na Internacional Socialista (!) que Sá Carneiro tenta filiar o seu partido.

Sim, o mesmo Sá Carneiro que é a referência declarada de Passos e dos seus. A mesma figura histórica que disse que “Nós, Partido Social Democrata, não temos qualquer afinidade com as forças de direita, nós não somos nem seremos nunca uma força de direita.”

Compare-se agora a definição acima com as posições que o PSD tem tomado desde que Pedro Passos Coelho e a sua entourage tomaram conta do partido. Reflicta-se no que foram dizendo desde o primeiro momento sobre o papel do Estado na economia, na saúde, na educação. Relembre-se o discurso das “gorduras” do Estado antes das legislativas de 2011, as privatizações que fizeram e as que queriam fazer, a tentativa de introdução de “liberdade de escolha” na educação, a flexibilização das leis laborais, a pressão mudar a segurança social para um sistema baseado em poupanças individuais, a fé inquebrável nos mercados.

Não que estas medidas ou propostas sejam necessariamente erradas, simplesmente de social-democratas não têm nada. Como social-democrata no verdadeiro sentido do termo, tenho pena que o PSD já não faça jus ao seu nome. Mas não posso deixar de louvar a maneira transparente com que em 2010 Pedro Passos Coelho assumiu a liderança do Partido com um discurso de direita e seguidamente apresentou uma proposta de revisão constitucional que dividiu as águas e ancorou claramente à direita um partido que à muito tempo tinha vindo a derivar nesse sentido. Nesse sentido, perdoo-lhe até a manutenção do nome PSD, que encaro como apenas um anacronismo inofensivo. Em resumo, em 2010-11 discordava de Pedro Passos Coelho, não o achava particularmente brilhante, suspeitava bastante da sua entourage (Relvas, Marco António Costa, etc), mas respeitava a sua transparência ideológica e honestidade intelectual.

O mesmo já não posso dizer do Pedro Passos Coelho de 2015 e 2016. Este Passos Coelho e este PSD que continua a ser de direita, mas que se apresentou a eleições em 2015 como se nada tivesse acontecido em 2010-11 e nos anos que se seguiram. Como se se o partido continuasse a ser o bom-velho Partido Social-Democrata de sempre. Este Passos Coelho que tem ainda a suprema lata de apresentar-se no congresso no partido que antes ancorou transparentemente à direita com o slogan “Social Democracia Sempre.” Afinal, Pedro Passos Coelho é apenas mais um aldrabão. Um chico esperto que pensa que engana toda a gente com um slogan tão obviamente falso.

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